As marcas do futuro precisarão conquistar pessoas e Inteligências Artificiais

As marcas do futuro precisarão ser compreendidas não só por pessoas, mas também por Inteligências Artificiais. Veja o que aprendemos com o Google no Fórum ECBR 2026.

Fernando Picinini

8/1/20264 min ler

O que aprendemos com a palestra de Gleidys Saldanha, do Google Brasil, no Fórum E-Commerce Brasil 2026

A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa para o futuro. Ela já influencia a forma como milhões de consumidores pesquisam, descobrem e compram produtos todos os dias.

Essa foi uma das principais mensagens da palestra de Gleidys Saldanha, Diretora de Negócios para Varejo e Tecnologia do Google Brasil, durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026.

Mais do que apresentar novos recursos do Google, a executiva trouxe uma reflexão importante para quem trabalha com marketing, branding e e-commerce: o desafio das marcas já não é apenas conquistar consumidores, mas também ensinar as Inteligências Artificiais a entenderem seus produtos, seus diferenciais e o valor que entregam.

Essa mudança pode parecer sutil, mas representa uma transformação profunda na forma como as empresas serão encontradas nos próximos anos.

A busca mudou. E isso muda toda a estratégia de marketing.

Durante muito tempo, profissionais de marketing otimizaram seus sites para responder pesquisas baseadas em palavras-chave. A lógica era relativamente simples: quanto melhor o SEO, maiores eram as chances de aparecer entre os primeiros resultados do Google.

Com a evolução da IA generativa, esse comportamento começa a mudar.

O consumidor já não pesquisa apenas por "tênis de corrida" ou "geladeira frost free". Agora ele explica seu contexto, conta qual é seu objetivo, informa quanto pretende investir e descreve suas necessidades. A Inteligência Artificial interpreta todas essas informações antes de recomendar uma solução.

Na prática, isso significa que as empresas precisam produzir conteúdos capazes de responder perguntas, explicar benefícios, contextualizar produtos e resolver problemas reais, e não apenas repetir palavras-chave.

Esse é um dos pilares do que já vem sendo chamado de GEO (Generative Engine Optimization): criar conteúdos que sejam compreendidos tanto pelos mecanismos de busca quanto pelos modelos de Inteligência Artificial.

A Inteligência Artificial passou a participar da decisão de compra

Outro dado apresentado durante a palestra reforça que essa transformação já começou.

Segundo um estudo realizado pelo Google, que analisou mais de 17 mil jornadas de compra e ouviu 2.750 consumidores brasileiros, 57% dos entrevistados já utilizaram Inteligência Artificial em alguma etapa do processo de compra. Desse total, 44% utilizaram IA em parte da jornada, enquanto 13% utilizaram durante praticamente toda a decisão de compra.

Isso mostra que a IA passou a ocupar um novo papel.

Ela não substitui o consumidor, mas reduz o esforço necessário para decidir. Resume avaliações, compara especificações, explica diferenças entre produtos, organiza informações e ajuda o consumidor a tomar decisões com muito mais confiança.

Marcas agora precisam falar dois idiomas

Um dos conceitos mais interessantes apresentados por Gleidys foi o de Marcas Amadas e Agênticas.

Durante décadas, o branding teve como objetivo criar conexão emocional com as pessoas. Construímos marcas com personalidade, propósito, posicionamento e relacionamento. Nada disso perdeu importância.

Mas agora existe um novo interlocutor.

Os algoritmos também precisam entender quem é sua marca.

Isso significa oferecer informações claras, completas e estruturadas sobre produtos, categorias, atributos, diferenciais e experiência.

Enquanto pessoas escolhem pela confiança, identificação e percepção de valor, a Inteligência Artificial precisa entender tecnicamente por que determinado produto é a melhor resposta para aquela necessidade.

As empresas que conseguirem equilibrar esses dois mundos estarão alguns passos à frente da concorrência.

No futuro, as marcas vencedoras serão aquelas que conseguirem ser amadas pelas pessoas e compreendidas pelas Inteligências Artificiais.

O Google Merchant Center ganha um novo protagonismo

Outro ponto que chamou atenção foi o destaque dado ao Google Merchant Center.

Durante anos, muitas empresas enxergaram a plataforma apenas como uma ferramenta operacional para campanhas de Google Shopping. Essa visão ficou no passado.

Na nova jornada apresentada pelo Google, o Merchant Center passa a ser uma das principais fontes de dados para alimentar experiências de compra baseadas em IA.

Quanto melhor estiver estruturado o catálogo de produtos, maiores serão as chances de recomendação.

Isso significa investir na qualidade de títulos, descrições, imagens, atributos, disponibilidade de estoque, avaliações, políticas de entrega e devolução.

No novo cenário, a qualidade da informação passa a ser tão importante quanto a qualidade do produto.

O próximo passo será o comércio agêntico

Outro anúncio importante foi o Universal Commerce Protocol (UCP), iniciativa que permitirá a comunicação entre agentes de Inteligência Artificial, varejistas e meios de pagamento.

Na prática, esses agentes poderão pesquisar produtos, comparar opções, monitorar preços, verificar disponibilidade, reservar serviços e até concluir compras autorizadas pelo consumidor.

Embora essa tecnologia ainda esteja em expansão e não esteja disponível no Brasil, ela aponta para uma direção muito clara: a jornada de compra será cada vez mais automatizada, personalizada e orientada por IA.

Como as empresas podem começar a se preparar?

Independentemente do momento em que essas novidades chegarão ao Brasil, algumas ações já deveriam fazer parte do planejamento das empresas.

  • Organizar e enriquecer o catálogo de produtos.

  • Revisar títulos, descrições e atributos.

  • Garantir consistência entre site, marketplaces e Google Merchant Center.

  • Produzir conteúdos que respondam às dúvidas reais dos consumidores.

  • Utilizar Inteligência Artificial para aumentar a produtividade das equipes.

  • Investir em branding para fortalecer a percepção de valor da marca.

Preparar-se para a IA não significa apenas adotar novas ferramentas.

Significa construir uma empresa mais organizada, mais relevante e mais preparada para um consumidor que já mudou.

A visão da Monstera

Na Monstera, acreditamos que toda revolução tecnológica exige também uma transformação estratégica.

Nos últimos anos, aprendemos a construir marcas relevantes para pessoas.

Agora, precisamos construir marcas que também sejam compreendidas pelas Inteligências Artificiais.

Isso não diminui a importância do branding. Muito pelo contrário.

Quanto mais a IA evolui, mais importantes se tornam o posicionamento, a autoridade da marca, a qualidade da informação, a experiência do cliente e a capacidade de gerar confiança.

As empresas que conseguirem unir esses elementos estarão mais preparadas para um mercado onde apenas aparecer nos resultados de busca já não será suficiente.

O desafio passa a ser ser compreendido pelos algoritmos, recomendado pelas Inteligências Artificiais e escolhido pelas pessoas.

E esse talvez seja o maior aprendizado da palestra do Google: o futuro do e-commerce não será apenas digital. Ele será conversacional, inteligente e profundamente orientado por dados de qualidade e marcas fortes.

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